Oi Pessoal,

me pediram para falar sobre viagem de pesquisa e roteiro de viagem. Vou falar detalhadamente sobre as cidades que estou indo ultimamente e um panorama geral sobre outras cidades que já fui para pesquisar moda. As dicas que vou dar são todas baseadas na minha experiência porque se fosse apenas para falar sobre roteiros de viagem, vocês poderiam jogar no google e pesquisar por lá. Vou começar então com algumas observações gerais que servem para qualquer viagem de pesquisa de moda e que são perguntas que recebi de leitores também.

Melhores épocas para viajar para pesquisa:

Inverno: final de fevereiro, início de março

Verão: final de agosto, início de setembro

É necessário viajar duas vezes por ano?

No meu ponto de vista sim. Uma viagem por estação é fundamental. Existem empresas que viajam quase todo mês. Essa frequência eu acho um exagero. Se não existe nenhum outro objetivo fora a pesquisa de tendência, viajar todo mês é sinal de insegurança ou que a pesquisa não está sendo bem feita. Cada empresa tem seu timing e cabe a cada um analisar se o investimento na coleção está sendo bem feito. Pensem se o investimento que se faz em viagens mensais de pesquisa resulta em criação de produtos que valem esse esforço. Talvez viajar menos e investir mais em tecidos, aviamentos, desenvolvimento de estampas, marketing e profissionais qualificados na criação tenha um resultado melhor nas vendas.

Dicas Gerais:

Hotel: Pegar hotel sempre próximo dos locais que serão pesquisados para não perder tempo de locomoção. Às vezes as pessoas querem economizar em hotel pegando lugares mais afastados mas pensem comigo: o objetivo da viagem é pesquisar as novidades e muitas vezes comprar amostras. Então o tempo de vocês é precioso. Não compensa vocês pegarem hotel longe do centro de pesquisa e perder tempo de manhã e no final do dia na locomoção e chegarem cansados nos lugares. Mais do que nunca TIME IS MONEY.

Tax free: Pesquisem sempre se o destino que vocês vão tem tax free e não deixem de aproveitar essa vantagem.

Horários: Pesquisar dias e horários de funcionamento de lojas, aeroportos e metrô/trem. Existem cidades que aos domingos as lojas não abrem ou tem um horário menor de funcionamento.

Pesquisar feriados nos locais de destino para não serem pegos de surpresa.

Sair com roteiro de cada dia definido e planos B. Isso ajuda a otimizar o tempo.

Kit básico de remédios. Eu sempre levo remédios para gripe, dor de estômago e salonpas para ajudar nas dores musculares.

LONDRES 

É uma das cidades que eu viajo atualmente para pesquisar moda e recomendo muito. Desde que comecei a trabalhar com moda (isso faz 14 anos) Londres sempre foi um dos destinos de viagem de pesquisa. Lá é muito bom para detectar as tendências e se inspirar.

Hospedem-se em um hotel próximo à Oxford Street. Essa é a rua principal que concentra várias marcas de roupa. Comecem sua pesquisa por essa rua e a façam de ponta a ponta dos dois lados. É a região com as lojas mais populares, grandes magazines, etc…

Carnaby Street e o Soho ficam grudados na Oxford Street e também são locais interessantes para pesquisa. Lá vocês encontram mais lojas de marca.

Regent Street fica perto da Oxford e dá para ir à pé.

Covent Garden é um local onde vocês vão encontrar mais lojas de marca e boutiques. A melhor maneira de chegar lá é pelo metrô. Desçam na estação Covent Garden que fica na Piccadilly Line.

Shopping Westfield é um ótimo destino para vocês ganharem tempo se começar a chover. Lá vocês encontram várias lojas da Oxford Street. Vou colocar o link do shopping aqui e lá vocês têm todas as informações como horários de funcionamento, lojas e como chegar de metrô.

Observações Gerais:

Link do mapa do metrô de Londres cliquem aqui. O metrô de Londres é bem sinalizado e fácil de entender. Os funcionários também são prestativos.

Lá vocês conseguem fazer o tax free, mas há um valor mínimo de compra na loja. Se vocês forem para outros destinos da Europa que trabalham com tax free, vocês vão juntando os formulários e somente quando forem voltar ao Brasil, no último aeroporto, vocês passam no guichê para conseguir o reembolso. Eu sempre optei pelo reembolso no cartão de crédito e nunca deu problema, mas quem quiser dinheiro também há essa opção. Aconselho vocês a irem fazer o tax free antes de despachar as malas porque dependendo do humor da pessoa que for te atender, ela vai querer checar os itens que foram comprados. Se vocês não mostrarem esses itens, eles podem se negar a fazer o reembolso.

Quando nossa economia estava bem e a cotação da libra em torno de R$3,50 reais, era possível chegar em Londres e pegar um táxi para o hotel (dava uns 200 reais). Mas agora com toda essa desvalorização realmente a opção do táxi ficou bem salgada então recomendo que vocês peguem o metrô mesmo.

E agora uma parte especial desse post. Graças a colaboração de uma pessoa especial, aqui vai uma super lista de lugares bacanas para comer em Londres:

  • St. Christophers Place (perto da Selfridges e da Bond Street Station). Se for acessar pela Oxford Street, você vai entrar por um beco que vai dar numa pracinha cheia de restaurantes. Eu provei um Turco lá que se chama Sofra ($$) que é uma delícia, pra quem é fã da culinária turca. A carne de cordeiro grelhada é muito boa. Na St. Christopers Place você encontra muitas outras opções de restaurantes e tem vários cafezinhos, além de lojas de marcas inglesas como a Whistles e Jigsaw;
  • Kimchi ($$, Holborn Station, Central Line). Para quem curte culinária Coreana. Comida muito bem preparada, e não muito adaptada pro gosto ocidental (por isso, alguns pratos podem ser apimentados demais pra quem não está acostumado). Tem opções de pratos com carne de boi, porco, frutos do mar, frango e vegetariano.
    O Kimchi tem uma outra unidade, próxima à Tottenham Court Road Station (Central Line) que serve street food coreano     (sushi coreano (김밥; kimbap), miojo (라면; lamen), marmita com uma opção de proteína, arroz e legume (도시락,dosirak), entre outros).
  • Burger & Lobster ($$, vários endereços, burgerandlobster.com)
    Você curte lagosta? O Burger & Lobster oferece um menu sem complicações: por £20, você escolhe um hambúrguer (de carne, pra aquele da turma que não gosta/pode comer lagosta) ou o lobster roll (pedaços de lagosta com o molho da casa) em um pão tostado (delicioso!), com refil de batata frita e salada à vontade. Dá pra pedir também lagosta cozida no vapor ou na grelha (com direito a todos os acompanhamentos da casa, também à vontade). O preço depende do peso da lagosta.
  • Dishoom ($$, vários endereços, dishoom.com). Ambiente muito movimentado, diz-se que a entrada no restaurante é como estar na Índia. Oferecem várias opções de street food indiana, também não muito ocidentalizado, portanto, aqueles que não toleram muita pimenta, cuidado! Os pratos são bem servidos, com vários opções de carneiro ou frango. Pra aqueles que exageraram na pimenta, vale a pena pedir um lassi (bebida comum na Índia, a base de iogurte, diversos sabores), que ajuda a diminuir o ardido na boca.
  • BELGO ($$, vários endereços, belgo.com). Para amantes de cerveja: vasta seleção de cervejas belgas e locais. Servem os tradicionais mexilhões (várias opções de temperos) com fritas (sequinhas!), e claro, waffles belga pra sobremesa! No menu, existem várias outras opções com frango e saladas.
  • Dans le Noir ($$$$, perto da Farringdon Station na Circle, Hammersmith &City e Metropolitan Lines). Deve ser reservado com antecedência pelo site (london.danslenoir.com) e é uma experiência pra testar o paladar. Restaurante onde todos os garçons são cegos e o jantar é totalmente no escuro. Os pratos são de acordo com o menu escolhido: surpresa, do mar, da terra ou vegetariano. Aconselho que ao escolher o menu, especifiquem restrições alimentares. (É proibida a entrada no salão escuro com celulares ou qualquer acessório que emita luz. O restaurante disponibiliza armários com chave pra casacos e outros itens pessoais).
  • Tibits ($, 12-14 Heddon Street, acesso pela Regent Street, tibits.ch). Buffet orgânico e vegano – comida fresca, saborosa e variada com preço acessível. Serve uma variedade de bebidas, e é uma ótima opção também pra um coffee break! O Tibits fica numa vilinha com barzinhos e outras opções de restaurantes. De noite é bem badalado e é um spot interessante pra fazer people watching.
  • Duck & Waffle ($$-$$$, Heron Tower, 110 Bishopgate , Liverpool Street Station na Central Line, Circle, Hammersmith & City e Metropolitan Lines, precisa de reserva, duckandwaffle.com).
    Pra quem quer apreciar uma vista maravilhosa de Londres, o restaurante fica no último andar de um arranha céu que é vizinho do famoso The Gherkin. Pra quem quiser um café da manhã bem reforçado, além da vista incrível, aconselho provar o prato pelo qual o restaurante é famoso: a coxa de pato com waffle e syrup.
  • OXO Tower ($$, Bargehouse Street, oxotower.co.uk). Pra se apreciar a vista do Thames River e bons drinks, sobremesas deliciosas ou um chocolate quente pra aqueles que visitam Londres no frio. Não se intimide em ter que subir de elevador que tem acesso da rua!
  • The Real Greek: ($, vários endereços, therealgreek.com). Dentre as várias opções de pratos pequenos pra degustar e dividir, o meu preferido é o suvlaki (vulgo, kebab) com queijo de cabra (halloumi).
  • Wagamama:($$, vários endereços, wagamama.com). Fusion oriental. Ambiente descomplicado, as mesas são grandes e todos sentam juntos como se fosse um refeitório. Serviço bom e rápido. A boa pedida é o don katsu curry (carne de porco empanada com molho curry acompanhado de arroz! Pra aqueles fazendo pesquisa em Londres, os endereços do wagamama são bem convenientes (por exemplo, dentro da Harvey Nichols, no Covent Garden, atrás da Selfridges, entre outros).
  • Joe & The Juice: ($, vários endereços, joejuice.com). Boa escolha pra um pausa rápida e revigorante. Oferece café e sucos naturais fresquinhos, espremidos na hora! O curioso é que todos os funcionários, baristas e juicers são homens.

Restaurantes do Jamie Oliver:
FIFTEEN ($$$$, 15 Westland Place, Old Street Station). Cozinha fina, cardápio, e as opções são bem interessantes… Bem caro (perto da Old Street Station)

UNION JACKS ($$, vários endereços, unionjacksrestaurants.com). Servem lanches e pratos típicos. O diferencial: os pratos são preparados com ingredientes cultivados no Reino Unido. Recomendo o sorvere de sticky toffee pudding de sobremesa.

Restaurante do Heston Blumenthal:
Dinner by heston blumenthal ($$$$, Mandarin Oriental Hotel Knightsbridge, Knighstbridge Station).
Restaurante finíssimo, com pratos inspirados em receitas dos séculos 18 e 19 do Reino Unido. Uma experiência única, cheia de curiosidades e explosão de sabores. Indispensável provar o meat fruit de entrada, e pra terminar, o tipsy cake, um brioche banhado em licor, servido com uma fatia de abacaxi grelhado.

Tradicional inglês:
☕️🍮🍵 Afternoon Tea ($-$$, dependendo do lugar).
São servidos sanduíches, bolos e doces, todos bit-size (porções pequenas), como o scone acompanhado de geléia e manteiga com chá/café. Existem inúmeros café/restaurantes que o servem, incluindo as lojas de departamento. Provei na LIBERTY ($$, loja de departamento mais antiga de Londres, que fica na Regent/Carnaby Street) e no Sofitel Hotel ($$, próximo a Picadilly Circus).

🎣🍟Fish & Chips. Peixe frito com batatas fritas. Os ingleses comem este petisco regado a vinagre e sal. É um tipo de street food bem comum em Londres, por isso, a cada esquina se vê uma barraquinha, pub ou lanchonete que serve somente as porções.

A colaboradora dessa parte do post que é de dar água na boca é a Aline Kim, formada em moda pela London College of Fashion em 2013. Morou em Londres por 5 anos. Adora viajar e conhecer culturas diferentes e suas tradições.

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Espero que tenham gostado do post e que ele ajude os leitores que pediram por essas dicas. Se tiverem dúvidas me escrevam nos comentários. Agora uma coisa que quero enfatizar: uma viagem de pesquisa deve ser feita com foco, sem preguiça, muita curiosidade e mente aberta. Eu não citei nomes de lojas porque o ideal é vocês entrarem em todas as lojas, olharem todas as araras com atenção. Não achem que dar uma passada de olho e tirar algumas fotos no meio da loja pode ser chamado de pesquisa. Quem não leu meu post sobre a melhor maneira de pesquisar tendências entre aqui. Pesquisa de moda é atenção aos detalhes, garimpar muito e cruzar informações. No início quando comecei as viagens de pesquisa, a marcação era cerrada contra as fotos. Mas hoje em dia parece que se conformaram, viram que além de fotografar compramos muitas amostras e muitos vendem seus produtos online também. Então está muito mais light. Uma prova é que antes os provadores não tinham porta, a maioria era cortina ou portas sem trancas. Hoje em dia vários tem trancas e você fica super sossegada lá dentro. Converso com muitas pessoas que acham uma perda de tempo entrar no provador com aquela quantidade enorme de roupas, mas eu discordo totalmente. É no provador que você manuseando a peça, muitas vezes descobre outros detalhes que ali no meio da loja passariam despercebidos. Dependendo da modelagem e acabamento vc tem que fotografar do avesso também. Então… não tenham preguiça! Cada viagem de pesquisa deve ser considerada a primeira, não se acomodem, não fiquem sempre nas mesmas lojas. Há viagens que uma loja está melhor, na seguinte é outra… Há temporadas que pessoas vieram falar comigo que deixaram de viajar naquela estação porque conhecidos e amigos foram e disseram que não tinha novidade. Gente… claro que tinha! Mas existem estações que as novidades estão mais visíveis e existem estações que as novidades devem ser mais garimpadas. Mas não existe viagem ruim de pesquisa. Você é quem faz a viagem ser boa ou não. E cada vez mais, como já expliquei anteriormente, as tendências seguem uma evolução e estão mais difíceis de serem definidas para as pessoas que estão acostumadas a pesquisar com a passada de olho. Sempre tenham à mão um caderninho para anotações também. Escrevam muito, anotem tudo que chamou a atenção, que apareceu muitas vezes, pensem na coleção de vocês e já rascunhem coisas que não podem deixar de fazer. Não fiquem presos somente às roupas, vejam detalhes de vitrine, disposição de roupas nas lojas, looks de manequins, enfim, prestem atenção em tudo e sempre, sempre reflitam e vejam o que vocês podem melhorar, mudar, incrementar no negócio de vocês. Por isso que eu digo que as viagens de pesquisa não são somente para vermos modelos de roupa, nós devemos nos inspirar e voltar recarregados com muitas idéias, alto astral e energia para fazermos uma coleção de arrasar.

Boa viagem e ótima pesquisa para os que ainda não foram! Bjs!